domingo, 28 de junho de 2009

[41] Portugueses: menos um

Dos três portugueses que por aqui existem, este é o primeiro a ir-se embora.

Existe coisa más que realmente detestei agora no fim. O director dele tinha uma proposta para ele ficar aqui mais tempo para implementar e concluir o trabalho. Mas não...o senhor decidiu meter férias e só aparecer no último dia para assinar os papéis. Todo o trabalho que G. tinha feito, desde o inicio. Desde à base de dados que ele criou para implementar o sistema com mais detalhe e mais rápido, será simplesmente deixado a um canto. Sabe-se lá por quanto tempo mais e se alguma vez será usado. Um sistema que já esta a cerca de dois anos para ser implementado, em seis meses por um único homem foi construído os seus alicerces e as suas paredes. Falta o resto o telhado e os acabamentos. Tudo isto será deixado a um canto. Atrasando assim a eficiência económica da empresa. São homens como estes que fazem a diferença, são homens como o director que fazem a ma diferença. Deitar trabalho valioso para o lixo, como se tratasse de papel higiénico depois de usado.

Agora falta saber quem será o próximo a ir-se embora. Serei eu ou não eis a questão...

[40] Onde estão todos?

Dia em grande para alguns. Vai haver uma visita grande de alguem de fora, quem eles sao nao me interresa, nem quero saber. O normal da minha parte. Como o meu trabalho tem sido baixo de zero, hoje decidi vir de jeans e de t-shirt. O mais informal possivel. Geralmente e as sextas-feiras que venho assim (uma especie de protesto nao formal). Como nao me dao trabalho para fazer, vou inventando alguma coisa. Como leitura de livros, por vezes vou olhado para os dois dicionarios que estao em cima da mesa. E se em cima da mesa estivesse as paginas amarelas eu tambem as lia. Isto e o inicio da insanidade, de nada estar a fazer. E estar aqui longe de tudo e de todos para nao fazer nada, mais vale a pena estar em casa. Ai sei que pelo menos vou fazendo alguma coisa, como ler, jogar, estar longas horas na banheira cheia de espuma a beber uma bebida e a fumar um cubano. Estar aqui e estar agarrado a um computar, em que nada aparece para fazer e o que aparece e logo despachado num instante. Despachado com rapidez, qualidade, clareza e perfeicao. As vezes ate rapido demais para os normais padroes daqui.

Nem sequer a minha colega mini-saia esta por ca, so mesmo a P. com as suas tradicionais saias apertadas, com o perfume dela a correr pelo ar no corredor. Nem a voz de Mr. Burns, oico pelos corredores a protestar. Isto de nao ter ninguem com quem falar a minha propria lingua comeca a ser um pesadelo, por vezes dou por mim a esquecer com se a fala. Enquanto isto os passaros la vao ocupado os ninhos e cagando as janelas, ja que ninguem as limpa.

[39] Depois da tempestade a calma

Nas últimas semanas foram de trabalheira daquelas que era tudo para ontem e mesmo assim tinha a seria dúvida se não seria para anteontem. E quando chegava a casa o trabalho não acabava. Fazer o jantar, limpar a casa, e estudar e preparar as coisas para o dia seguinte. Não conseguia desligar. Os representares do estado-maior alemão estava por cá para ver o que se passava e como ia as coisas. E a mim calhou um trabalhito que ninguém queria, claro como voluntario forcado. Deram-me um mes para apresentar alguma coisa, nem que seja um rabisco. Depois de vários pedidos de informações que não tiveram respostas, tive que meter as mãos ao trabalho de uma outra maneira. Se não e de uma maneira e da outra, e lá tive consegui começar. Mas esta tarefa estava complicada, não e que o computador não suportava o processamento exigido. E antes de descobrir que ele não tinha capacidade tive três dias a espera que a rapaziada instalasse o software que precisava. Mas não viram que o computador não tinha capacidade, não viram ou fingiram que não viram. O trabalho para tão bom ou tão não que ninguém queria tocar nele. Enquanto o baixinho e entroncado da informática, instalava o software no novo computador, fiz-lhe uma pequena confissão...o trabalho estava pronto em menos de duas semanas.

Dito e feito, antes dos representantes do estado-maior porem os pés na fabrica, a tarefa estava concluída e com sugestões para discussão para futuras alterações após a implementação do sistema. Bastou uma reunião de menos de vinte minutos para ter o projecto aprovado, ser dado os parabéns e com o convite para visitar umas instalações alemãs.

O sucesso foi tão bom ou tão mau, que os que não quiseram aceitar o trabalho queriam agora uma cópia do projecto. Nem pensar...só quem me deu a tarefa e que tem acesso incondicional ao material que existente. Queriam não queriam? Isto e só para mostrar o que um português vale.

Enquanto estou aqui com uma vontade enorme para dormir aqui na minha secretaria, estão estes gajos aqui atrás de mim a discutir. E conhecendo como já os conheço, nem e necessário conhecer a língua para perceber o que ele estão a dizer, mas o assunto e uma merda e alem de ser uma merda, não tem nexo nenhum. Daqui a menos de 5 minutos estão calados com o focinho colado ao ecrã do computador e a beber café, o típico...Até me apetece olhar para trás e pedir para se calarem porque aqui a alguém que quer dormir!

[38] Mudança de instalações

Já andava a estranhar, que havia qualquer coisa não batia certo. Uma breve discussão e uma planta sobre um escritório novo. Mas como aqui as coisas aqui andam devagar e devagarinho, por isso desconfiei, estranhei mas não liguei. O que fiz de melhor. Mas o andava mesmo a estranhar e que já a três semanas o escritório não era limpo. E a volta do meu caixote do lixo comunitário era só lixo no chão por aspirar.

Chegou sexta-feira, e começo a ver os meus colegas a arrumar as coisas em caixotes. Nem liguei, daqui já espero tudo. Ate que alguém me diz que na próxima segunda-feira vamos mudar de escritório. Vamos para o piso de baixo. Por um lado não sabia se havia de ficar contente ou triste. Primeiro já estava farto deste escritório que parece um forno. Mesmo de inverno com menos onze lá fora, temos que abrir as janelas para que ele não seja tão quente. E o que da bater o sol o dia todo, ter aquecimento central e ar condicionado, se o vi uma vez ligado e mesmo assim foi por um quarto de hora porque alguém reclamou.

[37] Bomba

Mais um mísero dia que quase nada fiz. Passei quase a parte da manha a preparar os ensaios. Só faltava mesmo a ordem final para passar os dois próximos dias a realizar os ensaios. Decido ver o que se passava na montagem dos equipamentos, para não passar tanto tempo na revisão dos procedimentos. Já era tempo em demasia em revisões de procedimentos. Não é que chego ao laboratório e tenho uma das bombas em pleno débito e a verter agua por todos os lados. Com três pessoas a volta dela completamente atrapalhadas sem saber o que fazer. Isto já para não dizer que a área estava quase toda alagada de agua.

O monstro de aço que pesa tanto como um elefante, nem um toque, nem um mero arranhão sequer. Hoje não é dia do monstro perder a virgindade de todos os buracos que possui! Talvez amanha, talvez depois...deixa só a bomba estar a funcionar em normais condições de operação que eu pessoalmente trato do assunto.

No entanto eu continuo a esperar e a desesperar pelos cantos do escritório...

P.S.: Maldita bomba!

[36] A morte de Socas

Socas é o nome do meu canário, alias era…faleceu na passada quinta-feira! Nem sequer um ano tinha. Mas comia tanto, mas tanto que por vezes eu lhe chamava bola de ténis. Não são pelo tamanho que ele estava, mas também por ser amarelo. Adorava este putanheiro, que se farta. Ainda bem que nunca lhe arranjei uma canaria, mais por aviso de pessoas que tinham canários da mesma fonte de origem do meu. Cantavam muito bem, mas mal entra-se um fêmea na gaiola, passavam mais tempo a fornicar e a por ovos do que a cantar. Foi por isso que surgiu o nome de putanheiro.

Ainda me lembro quando ele me chegou lá casa, dentro da gaiola com um plástico a cobrir a gaiola por cima. Mal se tirou o plástico, vejo um canário novo, bastante assustado e algo curioso do local onde estava. Lá lhe dei de comer e durante os três dias seguintes não parou de comer, até que ficou pela primeira vez no formato de bola de ténis. O nome foi a coisa mais estúpida que podia arranjar. Quis um nome de um filósofo, mas nenhum deles me agradava. Pensei em Platão, mas era triste de mais para um canário. Pensei em Sócrates, mas também não. Fazia lembrar o primeiro-ministro! Até que decidi encurtar o nome e ficar…Socas!

O animal comia tanto, mas tanto e sem qualquer tipo de controlo que tive que começar a controlar a ração. Foi o melhor que fiz, porque dias depois de começar a controlar, deu-lhe o primeiro sinal de princípio de ataque cardíaco. Efeitos de excesso de comida. Encontrei quase esticado, no fundo da gaiola a piar de agonia. Lá o consegui salvar dessa vez.

A partir desse dia, passou estar na sala, com a companhia dos humanos. Fazia o que lhe queria e que lhe apetece, especialmente sujar o chão com a comida. Quando parti, para fora do país, todos os dias quando tenho que falar com os meus pais via internet. Aparecia-me aquele bicho amarelo, no canto inferior da janela. Muito quieto, muito silencioso, e muito atento. Parava tudo o que estava a fazer para ouvir a minha voz.

Na quarta-feira começou a ter um comportamento estranho, estava novamente gordo, na quinta-feira de manha estava de pernil esticado. Desta vez não estava lá para o salvar…mas quem o manda comer tanto!

[35] Dia de Ignoração

Nos últimos dias tenho tido seria dificuldades em dormir. Não sei se e desta brusca mudança de temperatura ou do que seja. Só me de lembrar que nesta pequena terra em meio de algures, consegue estar mais quente do que em Portugal, e no mínimo estranho.

Começou logo pela manha, cinco da matina já estava acordado e não consegui dormir mais. Quando finalmente me levanto para ir me arranjar para ir trabalhar, tenho o azar de me assoar, porque o nariz estava entupido e...comecei a sangrar do nariz. Só parou mesmo ao fim de uma hora e com serias dificuldades. Isto para não dizer que só cheguei ao trabalho quase uma hora depois.

Quando ia a sair do prédio, passo por um vizinho que nunca tinha visto ate agora. Saiu da primeira porta do primeiro andar. Um homem bastante forte, com uns olhos azuis muito abertos e sem qualquer tipo de movimento. Tive a estranha sensação de estarem cegos ou devem estar a caminharem para isso. De bengala, de chinelos calcados e de meias brancas. Cumprimentou-me, depois de eu ter cumprimentado, o que me levantou ainda mais dúvidas em relação a sua visão.

Já bastante atrasado, mal saio da porta do prédio, dou de frente com um carrinho de bebe azul. Com um bebe lá dentro mas sem ninguém por perto. Um carrinho de bebe, com um bebe lá dentro e sem ninguém por perto

Na parte de manha enquanto estava a trabalhar, e no outro lado da rua, no outro edifício da fabrica, pode observar durante quase toda a manha, um individuo, que não sei quem e. Só não tinha era o casaco do fato, de resto estava bastante formal, com gravata incluída. De auriculares nos ouvidos. Gesticulava, como se tivesse a falar com alguém mesmo a sua frente e ao mesmo tempo possuía uma caneta numa mão e um pequeno caderno na outra. Estas tecnologias modernas, podem fazer um homem estar ligado ao mundo, mas por vezes acabamos por fazer uma figuras mais ridículas.

Tentei telefonar para uma amiga minha para dar os parabéns e desligou-me o telefone. Só podia estar ainda a dormir para fazer uma coisa dessas. Bem a ultima situação igualzinha a esta que me aconteceu, nunca mais falei com a pessoa. Porque ficou ofendida por ter telefonado para dar os parabéns, parece que interrompi algo (porque estava com o namorado que tinha conhecido dias antes). Por isso estou a começar a ficar tentado a não dar qualquer tipo de parabéns seja a quem for e do que for. E mais saudável para todos.

Neste estranho dia o melhor que tenho a fazer e fazer o meu trabalho e ignorar o que se passa a minha volta, e saudável. Alias quantas pessoas já comecei a ignorar? Muitas, mas mesmo muitas, so espero que não tenha magoado alguém que não merecia.