domingo, 28 de junho de 2009

[35] Dia de Ignoração

Nos últimos dias tenho tido seria dificuldades em dormir. Não sei se e desta brusca mudança de temperatura ou do que seja. Só me de lembrar que nesta pequena terra em meio de algures, consegue estar mais quente do que em Portugal, e no mínimo estranho.

Começou logo pela manha, cinco da matina já estava acordado e não consegui dormir mais. Quando finalmente me levanto para ir me arranjar para ir trabalhar, tenho o azar de me assoar, porque o nariz estava entupido e...comecei a sangrar do nariz. Só parou mesmo ao fim de uma hora e com serias dificuldades. Isto para não dizer que só cheguei ao trabalho quase uma hora depois.

Quando ia a sair do prédio, passo por um vizinho que nunca tinha visto ate agora. Saiu da primeira porta do primeiro andar. Um homem bastante forte, com uns olhos azuis muito abertos e sem qualquer tipo de movimento. Tive a estranha sensação de estarem cegos ou devem estar a caminharem para isso. De bengala, de chinelos calcados e de meias brancas. Cumprimentou-me, depois de eu ter cumprimentado, o que me levantou ainda mais dúvidas em relação a sua visão.

Já bastante atrasado, mal saio da porta do prédio, dou de frente com um carrinho de bebe azul. Com um bebe lá dentro mas sem ninguém por perto. Um carrinho de bebe, com um bebe lá dentro e sem ninguém por perto

Na parte de manha enquanto estava a trabalhar, e no outro lado da rua, no outro edifício da fabrica, pode observar durante quase toda a manha, um individuo, que não sei quem e. Só não tinha era o casaco do fato, de resto estava bastante formal, com gravata incluída. De auriculares nos ouvidos. Gesticulava, como se tivesse a falar com alguém mesmo a sua frente e ao mesmo tempo possuía uma caneta numa mão e um pequeno caderno na outra. Estas tecnologias modernas, podem fazer um homem estar ligado ao mundo, mas por vezes acabamos por fazer uma figuras mais ridículas.

Tentei telefonar para uma amiga minha para dar os parabéns e desligou-me o telefone. Só podia estar ainda a dormir para fazer uma coisa dessas. Bem a ultima situação igualzinha a esta que me aconteceu, nunca mais falei com a pessoa. Porque ficou ofendida por ter telefonado para dar os parabéns, parece que interrompi algo (porque estava com o namorado que tinha conhecido dias antes). Por isso estou a começar a ficar tentado a não dar qualquer tipo de parabéns seja a quem for e do que for. E mais saudável para todos.

Neste estranho dia o melhor que tenho a fazer e fazer o meu trabalho e ignorar o que se passa a minha volta, e saudável. Alias quantas pessoas já comecei a ignorar? Muitas, mas mesmo muitas, so espero que não tenha magoado alguém que não merecia.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

[34] Inveja


Não sou, nem gosto de ser invejoso, mas…hoje estou particularmente invejoso. Sim porque alguem esta em viagem por Bruxelas e eu que tambem fui convidado e nao posso ir. Ai que inveja...

Enquanto estou no escritorio a beber um sumo de pacote de pessego (broskyňa) da Včielka Maja (Abelha Maia)

[33] Olhar

Tenho andando com uma estranha sensação. Eu que raramente falo com P. e ela nos últimos dias tem me olhado numa maneira um pouco estranha. Só tenho umas interpretações para aquele olhar, mas tenho andando tão atarefado que ainda nem pensei no que quererá dizer aquela expressão. Mas uma coisa e verdade...os olhos não mentem.

P.S. Faz-me um pequeno favor P. Não ponhas tanta maquilhagem. Pareces que tens trinta e dois anos, mas na verdade tens vinte e seis.

[32] Orgasmos a comer

Durante o tempo que vivi na residência de estudantes apanhei varias cenas bastante caricatas, outras bem estranhas. Apesar da loiça na cozinha estar sempre suja, quase não se ouvir ninguém nos corredores. O silêncio era tanto que conseguia ouvir os ponteiros do relógio eléctrico a mudar de minuto a minuto. Estranho e fantasmagórico sitio. Ate que um dia...

Ate que um dia começaram aparecer pessoas. Não eram estudantes, mas sim pessoas na casa dos quarentas, outras na casa dos cinquentas. Pela forma que se comportavam e se apresentavam, muito provavelmente eram pessoas ligadas ao sector da construção ou da indústria pesada. Um dos dias, entrei pela cozinha adentro e estava um homem bastante gordo a jantar na única mesa que exista lá. Um homem bastante curioso, que me fez várias perguntas, só que não teve muito sucesso, porque eu simplesmente não sabia nem uma palavra da língua. Tive que responder em inglês que não percebia o que ele estava a dizer. Ficou ainda mais curioso, perguntou-me logo se eu era inglês, o que eu respondi logo de imediato que não...era português. Então que ele ficou ainda mais curioso, e acabou por me dizer o nome de quase todas as cidade que existem na região do grande Porto. Agora quem ficou com curiosidade foi mesmo eu. Voltou-me a fazer uma nova pergunta enquanto eu esperava pela comida a aquecer no microondas. – És do Porto, clube? – fiquei um pouco curioso e ao mesmo tempo desconfiado, como e que ele sabia os nomes das cidades e do FCP? Como eu não ligo muito ao futebol, mas respondi que não que era do Benfica. A resposta ainda foi mais curiosa, sabia o nome de um dos jogadores do Benfica, que por acaso dos acasos e checo.


 

No dia seguinte e apesar de já andar desejoso por sair daquele estranho edifício, vou novamente a cozinha. Sim porque durante um mes andei a comer comida instantânea. Já nem conseguia ver aquele tipo de comida, mas era a única que conseguia fazer, porque não tinha mesmo condições para fazer comida em condições por ali. Entro com o prato de comida instantânea para colocar no microondas e estava um homem na mesma mesa a jantar. Era do mesmo grupo. Mas este era um pouco, e bastante diferente. Eu não sei o que aquela sopa tinha, mas sei que eles têm um estranho hábito de colocar bastante picante na comida. Talvez seja do frio! Não, não podia deixar de reparar num pequeno pormenor, que confirmava tudo...a embalagem de picante estava em cima da mesa. Este tipo comia de uma forma bastante estranha que até me dava arrepios só de ouvir e olhar para ele. Sem me esquecer de referir que este tipo olhava seriamente para mim. Comia a sopa de uma maneira tão estranha que alem de literalmente chupar a sopa através da colher, emita um estranho som. Parecia que estava a comer a sopa e ao mesmo tempo a ter um orgasmo.

Pira-te mas e dali ates que o tipo te enrabe...

[31] Fez-se luz. Chegou a primavera

Finalmente o inicio da primavera. Bem quase! Quase, porque o tempo anda muito instável, mas pelo menos não dá para nevar. Aleluia! Finalmente o fim da neve. Essa coisa branca, fofa e ternurenta só esta mesmo nas montanhas.

Apesar do sol começar a aquecer, a roupas também estão a começar a diminuir. Agora sim, agora vale bem a pena olhar para todos estes atributos que temos a frente dos nossos olhos. Tatuagens, mini-saias (não e que durante o inverno não exista), decotes..., calças curtas...., ai!

Por falar em mini saias, não podia me esquecer de me referir um pequinito pormenor. Desde que o sol começou a aquecer o ambiente e a primavera a mostrar os seus primeiros e longos sinais de existência, a minha colega mini-saia, deixou de usar mini-saias. Alias durante quase duas semanas, só a vi mesmo três vezes de saias. Até fiquei um pouco confuso com a situação. Mas ainda bem...apesar de não conseguir acreditar que aquela carinha de boneca de porcelana, tenha vinte e seis anos. Dava-lhe à vontade vinte dois, e no máximo vinte e quatro. Já agora, ela também ia partindo a cabeça precisamente no mesmo situo. (Descobri estes pormenores, quando fui parar ao hospital). Tenho que admitir que ela até tem uma pernas bonitas, e o que e bom e para se ver!

Durante o inverno, o parque por onde passo todos os dias, estava sempre coberto de neve por cima daquele asfalto preto. Quando a neve começou a desaparecer reparei que existiam umas marcas no chão, com números. Agora sei o que é. Todos os dias quando saio de casa, já estão os vendedores ambulantes a instalar as suas bancas para vender flores e hortaliças para plantar. Um povo que têm um bom habito de gostar ter um jardim florido, independente da sua condição económica ou social, tempo ou ausência. Nisto eles não são como nos portugueses, que gostamos de ter os jardins das nossas vivendas, tudo ladrilhado ou asfaltado, ou mesmo sem jardim. Uma coisa feia, horrorosa, cheio de ervas, ou de tralha.

Se a primavera for tão dura como o inverno, acho que já comecei a ter os primeiros sinais de febre da Primavera. Sou mesmo obrigado a usar óculos de sol, porque com os aviões como estes, sejam aviões de ataque ao solo ou de caça. A luta pela resistência de não olhar para não cair na tentação e no pecado carnal e no mínimo complicado e difícil resistir. Venham elas…

Os pardais já lutam pelo ninho de andorinha que esta na janela mesmo a minha frente. As duas teias de aranha que estão coluna na parede, estão cada vez maiores. E a pequena joaninha continua a subir na direcção delas!


 

P.S. Se o Sol continuar a aquecer o ambiente, difícil será resistir no escritório por muito tempo. Porque se já era um forno durante o inverno, nem quero imaginar como será no verão com o sol a bater directamente o dia todo nas janelas. Prova de sobrevivência numero dois!

[30] O dia seguinte

No dia seguinte a entrada do novo director, fiz até questão de chegar um pouco mais cedo do que é hábito. Nada de novo estava a acontecer, tudo na mesma. Até eu estava mais atento do que o costume, para ver o que poderia acontecer.

Ele chega e nada se passa, a não ser o novo computador que está o tipo dos computadores a instalar para ele.

Até que acontece uma cena um pouco insólita é que deixou os meus colegas com um sorriso nervoso disfarçado e de boca aberta. No preciso momento em que o antigo responsável temporário do meu departamento entrou, e maldita a hora que ele entrou. Porque quando ele mal entrou, o novo director chamou-o para ele arranjar a cadeira dele! O homem com uma paciência e uma calma fora do normal, vira a cadeira ao contrário e começa a ajusta-la e dar uns toques para ela ficar em condições. Todos nos ficamos como ficamos com um sorriso disfarçado e de boca aberta, porque ninguém estava a espera desta cena.

Vamos lá ver o que mais irá acontecer.

[29] O choque vai começar

Perante a presença do novo director as minha funções também iriam mudar radicalmente, mas para isso teria que esperar mais uns dias para ver o que ira acontecer. No entanto o ambiente do escritório estava a começar a ficar um pouco mais denso e intenso. O novo director é Polaco. Os Checos e os Polacos têm uma velha rivalidade, na qual não se podem ver uns aos outros. O choque irá ser duro e violento. Nem eu próprio estou bem à espera do que irá acontecer. Mas e melhor preparar-me para o que virá acontecer. Não sei qual é a diferença entre este choque e a queda de um meteorito em terra.