quarta-feira, 18 de março de 2009

[14] Joaquim de Almeida, traduzido para polaco

A emoção de um filme de acção traduzido para Polaco. A mesma voz para todos os autores, mas sem qualquer tipo de emoção. Aqui temos o nosso Joaquim de Almeida, completamente traduzido em polaco.


Não sei é o nome do filme.

[16] O silencio do escritório

Quase duas dezenas de pessoas dentro do mesmo escritório onde estou. Mas nem uma palavra. Tudo concentrado no seu próprio trabalho. O silencio é grande, só mesmo interrompido pelos constantes clicares vindos dos ratos de cada um.

[15] Top 5 List

Aqui em terra de algures, é complicado ouvir musica que eu entenda o que estão a dizer. Mas, no entanto existe aqui no máximo duas estações de rádio local que têm o hábito de passar música estrangeira. Isto é música inglesa, na sua playlist. Nessa mesma lista encontram-se nada mais nada menos que cinco músicas tocadas e cantadas em inglês. A mesma foi carinhosamente apelidada por nós, os poucos estrangeiros que por aqui estão, de "Top 5 Playlist". Nessa mesma lista podemos encontrar as seguintes músicas:

  1. Lady Gaga – Poker Face;
  2. Pussycat Dolls – I Hate This Part;
  3. Kevin Rudolf feat Lil` Wayne – Let It Rock;
  4. M.I.A – Paper Planes;
  5. Akon – Right Now ( Na Na Na).

Agora imaginem, estas mesmas musicas repetirem de hora a hora. Mesmo que gosta-se delas, começa a chegar a uma certa altura que tenho que considerar uma tortura psicológica das mais avançadas que podem existir. Agora imaginem eu no escritório a levar com estas músicas o dia todo e depois chegar ao carro, ter que levar com a mesma dose até chegar a casa. Só posso dizer uma coisa...SOCORRO! TIREM-ME DESTE FILME.

terça-feira, 17 de março de 2009

[13] O ataque das Feras

Se és estrangeiro nesta terra no meio no nada, têm muita atenção. Elas são bonitas e provocadoras, eles são feios, porcos e estúpidos. O contrates bruto, feio e cru da realidade. Eles são poucos que falam inglês, a não ser que sejam engenheiros ou gestores que trabalham para empresas estrangeiras, nesse caso sim, encontras tipos que falam inglês. Agora é muito mais fácil encontrar uma mulher que fale inglês, porque ou são estudantes universitárias ou mesmo professoras. Daquelas que te fazem suspirar e desejares ser novamente aluno.

Mas...

Não existe por aqui mulher na casa entre os 20 ou 30 anos que não seja casada, ou com namorado. Por isso muita atenção!

Vamos a um bar, elas começam logo a tirar as nossas medidas. Vêem logo que somos estrangeiros, e latinos ainda para mais. O que não dá para disfarçar por mais que queiramos. E um latino aqui é um fruto exótico e proibido. Começam por meter conversa, perguntas da praxe, porque estas por estes lados? Onde trabalhas? O que fazes na empresa? O que gostas daqui deste país? Desde quando estas por cá? Entre muitas mais coisas. Não tem pudor ou preconceito nenhum em meter conversa e de igual modo em que alguém meta conversa com elas. Não existe qualquer tipo de preconceito. A conversa começa a desenrolar-se, começamos a pagar uns copos e a conversa começa a fluir melhor, já se agarram a nós como se conhecemos há vários anos ou que somos um casal. Até que chegam a um ponto que descobrimos que têm namorado. Que por mero acaso é a frase que elas melhor dizem em inglês. E o namorado delas ou está no outro lado da sala, ou mesmo atrás de nós.

Vamos a uma discoteca, e mal entramos, todas aquelas cabecitas com carinhas larocas, começam automaticamente a rodar em nossa direcção. Nunca vi tanta telepatia junta e a comunicar entre elas. Parecem radares atrás dos aviões em plena batalha aérea. E depois de fixo o alvo, e difícil largar - Alvo as 10h e a dirigir-se para o bar – latino a dirigir para a pista de dança às 3h - tentam arranjar maneira de obterem conversa connosco. Mas primeiro, estas pequenas, grandes e lindas feras começam como os gatos, a rondar o ratinho, e depois começam a brincar com ele. E por fim, é que atacam!

Se gostares de dança, entra na pista devagar, porque é muito provável estar só mulheres por lá. Porque os poucos homens que devem estar por lá, estão mesmo bêbados. Depois de entrares não te preocupes, elas começam a circular ao teu redor, tipo tubarões esfomeados a volta do peixe moribundo. Quando deres por ti alguma delas já esta agarrada bem a ti, como uma lapa numa rocha. Provocam, esfregam-se em ti, e por mais que tentes evitar, o teu cérebro masculino começa a pensar em outras coisas excepto em dançar e curtir a música na pista de dança.

Mas se quiseres ver o verdadeiro esplendor deixa que o DJ toque uma determinada música. Esta musica que estou a falar é das Pussycat Dools com um nome de A girl like me. Mal comece a tocar o meu conselho é ficares bem fora da pista de dança a ver. E só mulheres, todas elas a mexerem-se de uma forma tão excitante que os teus próprios olhos ficam vidrados de tanta vibração. A tua cabeça de cima deixa simplesmente de funcionar, só mesmo a de baixo e já com o Zezinho a querer espreitar de curiosidade. Consegue ser mais sensual que a dança do ventre e só não é um striptease, pouco falta. Porque as roupas já são curtas e poucas, por isso!

Por isso deixo um recado a todos os jovens da minha geração/idade: Se vierem aqui com a intenção de ir à caça, preparem-se que vão ser caçados. E bem caçados!

[12] Pelos caminhos do trabalho

Todos os dias quando efectuo o meu trajecto entre casa e o trabalho, por tradição apanho sempre as mesmas pessoas pelo caminho e sempre as mesmas coisas.

Uma delas é a drogaria erótica, coisa que nunca tinha visto na minha vida. Lojas eróticas, sim! E bastantes! Agora uma drogaria erótica é realmente a primeira vez. Há sempre uma primeira vez para tudo. A montra desta loja não é constituída como uma loja normal de produtos eróticos, nem como uma loja normal. Mas sim com um armário com varias prateleiras com produtos de limpeza para a casa. Nem quero imaginar o que se passara por detrás daquele armário. Estava era a esquecer de referir uma pequena coisita. Na montra também existem pequenos cartazes a fazer publicidade a lingerie, mas coisitas simples, nada daquelas fantasias.

Poucos metros antes de chegar a drogaria, passo sempre por uma casa do meu lado esquerdo. Tem os dois cães mais feios que já vi. Pequenos barulhentos e não gosto deles. Porque aquelas minorcas, ou amostras de cão, mal vêem uma pessoa na rua começa a ladrar, mas coitados, mal conseguem ladrar, como cães a serio. É um casalinho de machos! Realmente o filme Men in Black veio expor ao publico uns cães mais feios que sei lá o quê! Pelo menos a Lassie, o Ritintin, e o Inspector Rex sempre são mais bonitos.

Cada vez que passo, tenho que levar com aquelas duas amostras de cães. Imagino se aqueles dois cães são agentes do MIB, como no filme. Já estou a imaginar – Anda cá meu sacana. Quero te morder essas pernas! Não fujas meu maricas, eu não gosto mesmo de ti. Sei que és um extraterrestre do planeta PXtrocaopaço da galáxia Gama–Centauro, grr anda cá! Quero morder essas pernas peludas! - Entre outras coisas que eu poderia imaginar destes dois cães que eu apelido com bastante carinho: Men In Black Dogs. Tal como eles, eu também não gosto deles, são feios, sujos e porcos! E acho que são maricas.

Por falar em cães! Todos os dias à mesma hora da manha, passo sempre por um homem ai pelos seus 50 anos, isso se não for mais novo do que aparenta. Sempre com as suas calças camufladas e com o seu casaco castanho. Veste-se como se fosse para a caça. Alias é norma os homens desta terra vestirem-se como se fossem para a caça. Isto é todos os dias a mesma coisa. Isto já sem falar do cabelo oleoso. Esqueci-me de referir uma coisa, o dono, tal como o são os gordos. O cão, qualquer dia dá-lhe alguma coisa de mal, porque o animal mal se consegue mexer.

Se este cão, tal como o dono se mexem como a senhora da bicicleta que passa todos por mim, estavam de boa saúde como ela aparenta. Esta senhora que me refiro é uma funcionária cá da casa. Não sei de que departamento ela pertence, nem quero sequer saber! Esta senhora todos os dias vai e vêm de bicicleta. Uma senhora loira, ai já na casa dos seus cinquenta e muitos anos, mas aparenta ter uma boa saúde. Sim porque não é todos os dias que vemos uma senhora com esta idade ir e vir para o trabalho de bicicleta. Numa bicicleta tipo pasteleira, mas versão senhora, com um cesto para as compras, sobre a roda de trás.

[11] Novamente neve

Os dias que estavam a ficar de primavera, o Sol já raiava e a temperatura começava a subir. Toda a neve já tinha desaparecido, nem vestígios dela pelos campos, nem pelas serras e montanhas. Os rios até já galgam as margens, porque a água era tanta que o próprio rio não tinha capacidade. Isto tudo já num cenário em princípio de primavera. Claro que de manha fazia um sol fantástico, eu próprio já tinha que usar os óculos de sol. Até que começou novamente a chover. Sol de manha, chuva ao fim do dia. Era uma chuva fraca até que... numa bela manha de chuva, começou novamente a nevar. Lá caiam os flocos de neve suavemente pelo chão fora.

Só resta saber porque quanto tempo dura e se dará para eu ir fazer novamente Ski para as montanhas.

[10] A menina da mini-saia!

Praticamente nesta empresa só existe duas mulheres que usam saias. Uma já descrevi e comentei um pormenor que nunca deveria ter descrito. Tinha que ser dito! Senão o segredo ficava aqui comigo e ainda tinha alguma coisita má e ninguém depois sabia o porquê. Ainda ficava um mês, no hospital, fechado nos cuidados intensivos, completamente isolado dos outros pacientes. Com garrafões de soro fisiológico ligados por um estreito tubo de borracha transparente, ao meu corpo. Ao mesmo tempo o soro pingava para dentro de um invólucro de plástico transparente. Isto já para não falar da quantidade de fios e eléctrodos que tinha ligado ao corpo, tipo teia de aranha. Nem o Dr. House consegui desvendar este estranho caso, talvez o Fox Mulder dos X-Files era capaz de descobrir. Mas não passava de um simples caso psicossomático, sobre…bem já descrevi uma vez e não quero voltar a lembrar-me antes que me dê mesmo alguma coisa má e vou mesmo para na realidade ao hospital.

(Pensando melhor, e se ela tivesse vestida de enfermeira. Como seria?)

Eu quero, é mesmo falar sobre um pessoa que quase todos os dias, tinha que ir ao minúsculo gabinete dela. Não e que não goste falar com miúdas giras e contentes com a vida. Mas a malta da empresa já anda a desconfiar. Já me perguntaram, logo no meio da terceira semana de cá estar, se eu gostava de alguém dentro da empresa. Resposta imediata: “NÃO! Não vim cá para isso! Estou solteiro e bem solteiro! Não sou como determinadas pessoas que por aqui já passaram. Só vim fazer o meu trabalho e regressar a casa!”

Na segunda vez que fui ter com ela ao seu gabinete, o meu inglês de repente ficou esquecido, por breves momentos. Acreditem que nunca esperei ver um cruzar de pernas como no instinto fatal. Imaginem só o cenário: Chego ao gabinete dela, uma coisa com três metros por dois de largura, para tratar de um assunto. Cumprimento-a e começamos a falar do assunto do qual eu ia tratar, mas sem ela se mexer da posição donde ela estava. Isto é, com o corpo totalmente virado para o computador. Quando de repente ela lembra-se, e vira-se na minha direcção, afastando-se da sua secretaria, e ao mesmo tempo deixa à vista a sua mini-saia e as suas belas e finas pernas na totalidade. Eu claro fiquei por breves momentos de fracções de segundo a espera do que sairia dali. Não é que quando ela termina de se afastar da mesa, cruza as pernas mesmo na minha direcção. Tal e qual como no instinto fatal. Claro que naquele momento em que eu estava a falar inglês com ela, todo o meu inglês foi fatalmente e literalmente morto, porque nunca mais voltou a ser o mesmo nos minutos seguintes. Acho muito pessoalmente o dia todo e o resto da semana.

Imaginem uma jovem ai na casa dos vinte e dois, vinte e três anos. Por volta de um metro e sessenta, corpo fino e bem torneado. Pele branquinha, cabelo escuro e olhos castanhos, ligeiramente rasgados, com os lábios bem finos e sempre com o seu batom rosado. Maioria das vezes ou anda de saia (ou mini saia), ou de vestidos. E raro usar calças, não me perguntem porquê. Mas das poucas vezes que a vi, achei que ela até tinha uma rabinho bem torneado e bem giro. Nada de rabinho empinado, apesar de pequeno, até é bastante bem torneado. Pronto! Com umas boas curvas...esta rapaziada gosta destes pormenores bem descritos! O seu nome no qual eu não vou divulgar, acho para os meus padrões portugueses um pouco, digamos usando o termo pimba, ligeiramente pimba. Mas os colegas dela têm o costume de usar os diminutivos. O nome dela versão curta fica como qualquer coisa com nome de gato para mim. Não é que seja uma bela gata!

É verdade que os meus colegas portugueses e alguns checos não gostam muito dela. Não é uma questão de ciúmes, mas mesmo de competência. Não há bela sem senão. O senão aqui não é só o nome, para mim, mas também a competência para fazer as coisas. No meio desta história toda, andei quase um mês, quase todos os dias no gabinete dela, isto tudo para resolver uma merda de um assunto que era arrendar uma casa. Claro que isso trouxe alguns problemas com os meus colegas de trabalho que já andavam a pensar coisas.

Continuo a não entender uma coisa. Porque ela que cada vez que tem que vir aqui acima ao meu andar, ter reuniões com a chefe dela. Tem que mandar imprimir as coisas dela no meu escritório? Existe uma impressora mais perto da chefe dela! E escusa de vir aqui muitas vezes. Só me desconcentra a mim porque tenho que a cumprimentar, e os meus colegas, que mal a vêem começam com comentários. Como por exemplo olharem para as pernas e a fazerem-me sinais. Porque isto aconteceu precisamente agora, quando eu estava a escrever isto!